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A
minha história I
Ele
já foi Pindorama
E também já foi Tanquinho
Porem hoje é Tapiranga
E parte do meu carinho.
Eu venho daquela plaga
Ditosa, feliz, brejeira,
De um povo maravilhoso
Terra linda e hospitaleira.
Ali
me deram o batismo
E me fizeram cristão.
Eu tive a Graça Divina
Junto a SÃO SEBASTIÃO.
AUGUSTA, minha madrinha,
JOSÉ RIOS, meu padrinho,
Em nome do Espírito Santo,
Traçaram meu caminho.
Na
hora de dar o nome
Meu padrinho o esqueceu
Minha mãe queria ANTÔNIO,
Desejo que valeu.
A madrinha disse: “ E agora
Que nome vamos lhe dar?
Manda correndo um menino
Para a comadre informar! ...”
O
padre não aprovou
Porque ia demorar,
“ A viagem ta marcada
Eu não posso me atrasar.”
Entao pensaram num nome
Escolhido com cuidado
E anotaram no livro
O menino se chama “AMADO”.
Minha
mãe não se zangou
Com o nome escolhido
“AMADO” será de Deus,
Na vida será “Querido”.
E dizendo em voz alta
Por este nome lhe tomem
Ele será um “Homem AMADO”
Ou então um “AMADO Homem”
Daquele
dia em diante
Fui crescendo com saude,
A graça de Jesus Cristo
Foi a minha maior virtude.
Todos me queriam bem,
Amigos tive demais,
Aproveitei o meu tempo,
Tempo que não volta mais.
Os
dias da minha infância
Eu me lembro com saudade,
Com GALDINO, com ISAIAS,
Era grande a amizade.
ENEAS MOTA gostava
Do seu “cavalo de Pau”
Esquipava com elegância,
O seu nome era “Girau”.
Eram
quentes as fogueiras
Nas noites de São João,
As espadas de “seu” HORACIO
Faziam aquele clarão.
Nos sábados de Aleluia
Era JUDAS, o traidor,
Queimado pelo seu crime,
De vender NOSSO SENHOR.
A
lista do Testamento
Era ouvida com atenção
O que ele dava aos amigos
Alegando gratidão.
Não esquecia de ninguém,
Sua riqueza repartia,
Deixando bem explicado
O que na vida fazia.
Era
o fim da Leitura
Que JUDAS era queimado
Com todo mundo aplaudindo
Pelo castigo aplicado.
A festa continuava,
Da praça ninguem saia.
A bebida não faltava,
Ate romper o dia.
Com
DETINHO e ABELARDO,
Meus verdadeiros amigos,
Brinquei muito na infacia
Enfrentando certos perigos.
O JOJÔ, desde menino,
Sem ter medo e sem pavor,
Dizia: “Quando Crescer
Quero ser Aviador!...”
VALDINHO
ia ser musico,
Pois já tocava violão,
VAVA no Saxofone,
E MEMEU na percussão.
O nego valdo dizia
No seu rezar fervoroso,
“La nas terras de São Paulo
Eu vou ser rico e famoso”
“Seu”
HORACIO FOGUETEIRO
Que era grande artista,
Para vender seus fogos,
Organizava uma lista.
Daquilo que fabricava,
Os que não davam defeito,
Pois era demais conhecido,
Homem sério e direito.
Os
banhos na SANTA ROSA
Eram quase um dever.
Se juntava a meninada
Para ladeira descer.
Com bodoques de borracha
Para caçar passarinho,
Cada qual tinha o melhor
Daqueles feitos por ZINHO.
Era
com “seu” BELARMINO
Que a turminha aprontava,
Comprando na sua “venda”
Tudo o que desejava.
Na hora do pagamento
Se o dinheiro não tinha,
Ficava tudo fiado
Anotado na “listinha”.
Chegava
o fim de semana,
O velho “BELAU” cobrava
O que a turma lhe devia,
O que a ele comprava.
Nem todos tinham dinheiro
Pra pagar sua conta,
Fazia então queixa aos pais,
Pois divida não se remonta.
A
surra então, era certa,
Em todo fim de semana.
Sem campo de futebol,
A gente ficava “em cana”.
Não tinha aquele jeitinho
Da mãe, da avó, do irmão,
Pois tinha que ter castigo,
Não tinha apelação.
CHIQUINHO
MENEZES pulava,
Jogava bola e corria,
Mas era muito medroso
Com o que a turma fazia.
E cresceu determinado
De ser um bom militar,
E foi, então, na Policia
Que ele foi ingressar.
Por
muitos e muitos anos,
Na policia ele ficou,
seu nome foi elevado,
Muito prestigio ganhou.
Um bom soldado ele foi
E cumpriu o seu papel,
Pra reserva foi mandado
No posto de coronel.
PAULO
MENEZES era tudo,
Prefeito, Padre, Escrivão,
Medico, Juiz de Paz,
Pra todos um bom irmão.
Ele se preocupava
Com a sua terra querida,
Da parte de sua historia,
E a história de sua vida.
Nunca
aceitou o errado
E detestava o bordel,
Casou-se com quem amava,
Com sua querida RAQUEL.
Formaram um par perfeito
“Carne e unha”, creio eu,
Chegando ao topo da sorte,
A sorte que DEUS lhe deu.
Autor:
Amado Honorato de Oliveira
Fonte: Caderno de Poesias “A Minha Historia”
Edição: Abril de 2000
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